Muzenza, a pegada é a seguinte, me piquei de Angola e agora me piquei do Brasil, tudo rapidinho, coisa de três meses e eu já tinha passado por 3 continentes. Poooooooooorra, to ficando importante mermo.
Bom, agora os causo será tudo de cá das terra dos cangurívis. E já começô com a viagem, foi loucura, a galera fala tudo embolado, pra chegar foi samba do criolo doido... Mas pera que vou contar essa historia por partes
Primeiro eu saí de Salvador, fui pra São Paulo e de lá peguei um avião pra Dubai, a terra dos cara com pano na cabeça. Essa parte da viagem foi uma viagem da zorra. Olha lá
Ate São Paulo foi moleza, tava todo mundo falando dublado ainda, rojão foi quando entrei no avião pra Dubai. A galera começou a falar embolado, fiquei azuado negao, entendia porra nenhuma.
Pra começo de conversa entrei no avião e uma mule olhou pra mim e falou:
- Uéris ior cite?
- Como é que é minha senhora??
- Uéris ior cite?
- Quero não brigado
E vazei logo pra meu lugar, na janela, coisa boa, parecia que tava no bondinho descendo pra cidade baixa, mas com ar condicionado e musica ambiente.
Tava lá eu na minha, ai apareceu um maluco com um cesto de bala e falou.
- Quen iu oupen ior uindou?
- Quero não, obrigado
- Quen iu oupen ior uindou?
- Porra meu irmão, já disse que não quero vei...
Ai ele meteu a mão perto de minha cara... Negao, quando eu vi aquela mão cheia de dedo chegando perto eu olhei com uma cara tão feia, que o maluco só teve coragem de abrir minha janela. Fez pra disfarçar, devia ta todo cagado. Mas também só de pirraça esperei o avião decola e fechei a janela, a galera deve ter visto a confusão e de sacanagem todo mundo fechou, o avião ficou um breu da porra... O maluco não teve nem mais coragem de vender os bombom dele. Va sacana.
Comecei a cochilar, ai uma mule me acordou pra me dar o rango, fiquei feliz pra porra, nunca tinha comido rango importado, decente. Ai ela falou
- Uate do iu prifer? Tiquen or Fiche?
Na merma da hora eu lembre do Mequi Donaldis, essa eu não ia errar, Mequi Fiche era uma merda, não titubiei e meti na lata
- Me vê o de galinha ai minha senhora.
- Uate sor?
- O de Tiquen, eu quero o de Tiquen... Vou traduzir pra senhora. Me uante o de Tiquen.
A misera acertou direitinho, das galinha morta que já comi, essa era uma das mais gostosa que tinha. Boa bagarai.
O resto da viagem foi de boa, com umas confusão com o inglês, mas nada demais não. A porra pegou mermo foi quando pousou em Dubai, ai foi que fudeu.
Pai véi, chegando lá eu tinha que passar pela imigração, ir para o hotel, voltar no outro dia e me picar pra Austrália. Parecia bundinha de neném, todo lisinho e cherosinho, foi ai que empombou afro. Pra começar pela chegada.
Coisinho se tivesse tudo em inglês já ia ser uma merda, imagina ai, quando eu vi as placas so com ondinha e pontinho. Zoooooooorra fiquei azuado. A porra não tem vogal, não tem consoante, não tem nem proparoxítona com ditongo agudo. Bizarrão de entender. Ai tive a brilhante idéia de seguir o fluxo, mas so até a metade, porque separou, uma parte desceu o elevador e a outra passou batido. Logico que painho aqui fatiou onde tinha mais mule e foi junto. Cagada da porra, bati certinho na imigração, e tomei do meio do parreco bem agora.
Quando desci tinha uma porra de um salão grande da zorra, acho que cabia a galera toda daquele país ali dentro, gigantão. Tinha um mucado de guichêzinho, parecendo hiperbompreço, já me adiantei logo fui pro começo da fila, na minha vez dei um sorriso retumbante e entreguei o passaporte pra danadinha que tava deixando a galera passar de boa.
Só que ai deu merda, ela olhou pra mim e falou:
- Iu quente pés.
- Ta quente mermo minha sinhora, essa terra é toda cante dos pés a cabeça.
Ai ela meteu no meus peito o passaporte e mandou eu vazar de volta. Ai sai da fila e voltei pro salão, não entendi nada e não sabia pra onde ir. Ai com ozóio cheoi d’agua eu olhei ao redor e vi um balcão escrito Information. Pensei logo: “essa porra deve ser do FBI, eles vão me ajudar.”
Dei um sorrisão e entreguei o passaporte ai o cara falou
- Iu nide to iscan ior ais.
Devolveu tudo e se picou. Rapaz, a essa hora eu já tava agoniado, as fila tudo diminuindo, eu parado sozinho no salão e sem saber pra onde ir. Nessa hora a gente só tem uma solução e foi o que eu fiz.
Soltei um PUTA QUE PARIU com todas as forças e fui pra fila mais próxima.
Chegando lá eu fiquei esperando minha vez sem sabe o que ia acontecer ai vei quando o maluco que tava na minha frente saiu e eu fui chamado eu me caguei todo. Os cara tavam tirando Xerox do olho dos outros, devia ser pra entregar pra comebol, aquela empresa de investigação de todos os países. Eu nunca andei tão devagar, enquanto ia pra cadeira fiquei lembrando dos pequenos furtos, dos trocos da padaria que não devolvi e comecei a suar. Fudeu, eles iam me pegar. Pensei ate em desistir, mas o sacana que tava atrás me empurrou e ai já era pai.
Sentei na cadeira, entreguei o passaporte e meti o olho na luneta pro muito doido tirar a foto. Mas foi ai que eu dei o pulo do gato, na hora do flash eu pisquei. Hahaha. Se fudeu otário, enganei direitinho e ele me deixou passar.
Depois disso voltei para a fila da mule e sorri de novo na hora de entregar o passaporte, eu tava com a ficha limpa. Mas ai a miserável falou
- Iu quente pés.
- Iu quente pés é a cabeça do meu p..... minha senhora. Já fiz La a investigação, já fui grampeado nas vista, é claro que eu quenti pés.... agilize minha vida ai misera.
Na merda da hora eu cabrerei, colou um muito doido que so de braço devia ter quase dois metro. Vei o cara era muito grande, muito feio e tava muito retado. Me piquei de La vuano.
Ai voltei lá no cara do FBI e entreguei meu passaporte. Ele fechou a cara e falou:
- Iu nide to gou to de benque?
- Que benque rapaz??? Vou pagar porra de dinheiro pra ninguém não. Vc que tem que me dar desconto, é a primeira vez que venho aqui e vc ainda ta cobrando. Vou pra benque nenhum não. E comecei a fazer zuada. O cara olhou pra mim e falou
- Uam ... Tchu ...
Eu nem quis ouvir o resto, parti a mil. Fui lá no banco e entreguei o passaporte, já pensando na facada NE, devia ser caro pra porra. Mas eu dei sorte. O cara carimbou minhas porra e entregou sem cobrar nada, sem falar nada, sem nem olhar na minha cara. Decente
Então voltei pra fila do Bompreço e dessa vez eu escolhi outra mule pra ver minhas porra. A sorte foi essa, ela olhou tudo e me deixou passar. Eu sabia que a outra tava de implicância e olhe que nem dei mole pra ela.
Depois de passar era so ir pro hotel. Fiquei rodando feito corno procurando o ônibus e nada. Devo ter feito uma meia-maratona da paleta que tava dando. Derrepente apareceu um china, pegou meu papel e falou.
- Dete is ior bãs.
Rapaz não da pra confiar em china não vei, fui na entoca ate o busao, na manha do gato e fiquei vendo quem tava dentro, se não era tocaia pra arrancar meu rin e vender no mercado. Quando eu vi que tinha criança e veio, eu fiquei mais de boa e entrei na parada. Ai so foi chegar no hotel, dormir e voltar.
No outro dia eu abri o gás pra Australia e foi tranqüilo. Agora a onda é aprender inglês no meio das loira. E vamo que vamo minha porra.